Baú de ideias

1. O que é Educomunicação?

Educomunicação é um campo de pesquisa, reflexão e intervenção social que dialoga sobre os vários tipos de saberes que se fundem na Educação e na Comunicação. Pensa o comunicar, educar e aprender como práticas interrelacionadas e intrínsecas do ser humano. Estamos sempre comunicando, educando e aprendendo. Refletir e transformar esses processos é um dos objetivos da Educom, compreendendo que comunicação é um direito humano.

2. O que é Direito Humano à Comunicação?
Acreditamos que a comunicação é um direito humano. Isso significa reconhecer que todas as pessoas têm direito à voz, tem direito de se expressar e manifestar as suas opiniões, suas representações e visões de mundo. Mais do que ter liberdade para se expressar, direito humano à comunicação significa poder fazer parte dos processos de produção da informação, significa garantir que as informações que chegam a nossas casas, escolas, empresas, espaços públicos sejam produzidas de maneira coletiva e que respeitem as diversidades e multiplicidades de todas as pessoas.

3. O que é democratização da comunicação?
Hoje os meios de comunicação do Brasil estão nas mãos de poucas famílias (Marinho - Globo, Abravanel - SBT, Macedo - Record, Saad - Band, Carvalho e Dallevo - Rede TV!, Frias - Grupo Folha, Civita - Grupo Abril, Mesquita - Grupo Estado, Sirotsky - RBS e Queiroz - Grupo Verdes Mares, entre outros). E em cada estado, existem famílias que dominam os meio de comunicação locais, como os Alves (RN), Sarney (MA), Mello (AL) e Magalhães (BA).

Essas famílias decidem o que vamos ler nos jornais e revistas, ouvir nas rádios e assistir nas TVs. São elas também quem decidem quais produtos serão anunciados e entrarão nas nossas casas sem pedir licença. Democratizar a comunicação é tirar as concessões públicas de uso dos meios de comunicação das mãos dessas poucas e milionárias famílias e garantir que as pessoas, movimentos, grupos, organizações sociais possam participar da produção desses meios de comunicação. Um exemplo são as rádios comunitárias, que prestam um serviço social levando notícias locais às comunidades e que muitas vezes são consideradas piratas e são perseguidas, criminalizadas e fechadas pela Mídia Tradicional, pela Polícia Federal e pela Agência Reguladora das Telecomunicações (Anatel).

Quando essas rádios fecham suas portas, todos estamos sofrendo mais uma ação para restringir ainda mais o direito da população de veicular notícias, informações, fazer o diálogo social através dos meios, de modo que se fortaleça apenas o direito desses grandes aglomerados familiares que dominam a comunicação no Brasil. Democratizar a comunicação é mudar esse cenário! É garantir que toda a população tenha acesso aos meios de comunicação públicos e que a sociedade garanta, aprimere e amplie esses meios. E sim, se é concessção pública, é um veículo de comunicação público!


4. O que é a Articulação Vira Nordeste (AVN)?

A AVN é uma rede de comunicação e educação popular e alternativa que tem por objetivo promover o diálogo, a convivência, a colaboração e apoio mútuos entre todos os sujeitos, grupos, organizações e instituições que compõem a rede. Não se trata apenas de um espaço de trocas de informações, de mobilização coletiva, de representação dos grupos que fazem a rede. Antes de tudo, a AVN propõem-se a ser uma comunidade de partilha de afetividades, desejos, sonhos, dificuldades e sabedorias, para que todos e cada um possam se fortalecer e ampliar suas ações locais e regionais.

Temos por princípios a educação libertadora, o direito à comunicação, a democratização das comunicações, a liberdade, autonomia, responsabilidade, autoconhecimento, respeito, identidade, diversidade, riqueza cultural, criatividade, iniciativa, pensamento crítico, engajamento no próprio processo de ensino-aprendizagem e na relação pessoal e coletiva com o conhecimento, tanto das ideias como das técnicas sociais de produção dos bens necessários ao bem-estar social. Buscamos, praticamos e desejamos integrar e fortalecer as ações em Comunicação e Educação que queiram a transformação social, a prática da cidadania individual e coletiva, a participação direta e democrática, a expressão de todos e todas.

A AVN foi criada em 2010, durante o IV Encontro Nacional de Conselhos Editorais da Viração, realizado em Mairiporã-SP. Neste momento, todos os conselhos nordestinos presentes realizaram o Encontro Nº0 da Rede, firmando o interesse de se construir um vinculo regional e dialogando sobre a importância de articular o Nordeste. Voltando para seus estados, iniciou-se as discussões para a realização do I Encontro Regional da Rede e daí surgiu a ideia do ENFORMAE, dentro do qual acontece nosso Encontro da AVN. Em 2012 começamos a imaginar outras iniciativas que poderão nos integrar e nos fortalecer. Nessa perspectiva, surgiu o projeto Virando o Nordeste, em que um grupo do RN percorrerá os estados do CE, PE, PB, AL e BA para dialogar com as experiências em comunicação e educação existentes, propondo intercâmbios, diálogos e parcerias, fortalecendo assim a AVN. A AVN faz parte também da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores/as (Renajoc).

5. O que é a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (Renajoc)?

A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicador@s – RENAJOC foi criada em abril de 2008 no I Encontro de Adolescentes e Jovens Comunicador@s, promovido pela ONG Viração Educomunicação, que antecedeu a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Desde então, a RENAJOC participa de ações que buscam unir adolescentes e jovens do Brasil para chamar a atenção para o Direito Humano à Comunicação e para a Democratização das Comunicações no Brasil, fazendo coberturas colaborativas de eventos relevantes para os adolescentes e jovens e integrando debates nacionais sobre adolescência, juventude e comunicação.


Como afirma o professor Claude-Jean Bertrand, é obrigação da "coletividade fornecer os meios desta troca [de informações]. [Afinal], o direito à educação não significaria grande coisa se não houvessem escolas, nem o direito à saúde sem hospitais". Além disso, comunicar não é só produzir e trocar informações, mas também dialogar, construir coletivamente a comunidade e o mundo em que vivemos, a partir da gestão democrática e compartilhada dos recursos, das decisões, das ações coletivas, e da realização e formulação de novas formas de pensar e fazer a sociedade.

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